quarta-feira, 25 de janeiro de 2012

QUANDO A LUZ SE APAGA...

- Boa noite, querido.
-Boa noite, mamãe.
A jovem mamãe despede-se do filho, que acaba de colocar na cama, para uma boa noite de sono.
O quarto da criança iluminado fracamente pela luz do aquário “cai” na penumbra.
- Psiu...
Um grosso dicionário desperta-o e solicita: 
- Mimoseie-me com um ósculo antes dos folguedos, pois não posso locomover-me.
O trenzinho elétrico, como “em um passe de mágica”, começa a deslizar pelos trilhos que correm por todo o quarto.
Um boneco Falcon (mais armado que Rambo) pula da prateleira: - Podem brincar tranquilamente que eu faço a segurança.
Um batalhão de soldadinhos de chumbo, com antigos fuzis e baionetas, saiu da caixa de madeira onde ficava guardado, e marchando, deslocava-se em direção a porta, quando Falcon com enorme metralhadora na mão, cortou-lhe o caminho.- Eu já disse que a segurança é minha responsabilidade!
Um palhaço de pano com enchimento de espuma pulou da cadeira onde estava “adormecido”: 
- Calma “a noite é uma criança”, e todos poderão fazer a segurança do recinto e dos presen-te-tes.
O xilofone começou a tocar sozinho. “Uma baqueta invisível percutia as chapas de aço, que tangiam e tocavam;” Era uma casa muito engraçada, não tinha porta, não tinha nada”...
Um Móbile do Sistema Solar, armado sobre sua cama começou a girar. Todos os planetas, inclusive o “rebaixado” Plutão, giravam em torno do Sol, que iluminou e aqueceu todo o quarto  insuportavelmente.
A criança pensou em um Sol poente, e imediatamente o Sol avermelhou-se e baixou para perto do horizonte. Eram 17 hs.Com o pensamento viramos Deus. Uma luz misteriosa iluminou pequeno Presépio de barro, que estava na prateleira do armário, e o Xilofone começou a tocar Noite Feliz. Que estranho, ainda estamos em Abril!
 Um porquinho mealheiro, tilintando as moedas do seu interior, veio pra perto do presépio. Todos os personagens do quarto de brinquedos, inclusive o cachorrinho e a vaquinha de pelúcia, vieram acomodar-se em volta do Presépio. Os peixinhos do aquário nadaram para o lado voltado para a manjedoura e até o valente Falcon e os soldadinhos de chumbo, largaram as armas, para respeitosa e silenciosamente velarem o sono da criança que acabara de nascer.  A mãe da criança, que pensara ouvir a música do Xilofone abriu a porta do quarto do menino repentinamente. 
Tudo estava em paz, e a criança dormia profundamente, “sonhando com os anjos”.


Sávio Drummond

O BATOM

Palavra francesa, (bàton) tem sua origem atribuída às antigas egípcias, que há 5.000 A. C. o usavam, de forma líquida, a base de Óxido de Ferro, aplicado com pincéis.
Dizem as “más línguas” que a 1º mulher a usá-lo foi Eva, que o comprou de uma cobra, e a paz dos homens (Adão e descendência masculina) foi pra “cucuia”.
A prova de que o batom teve origem no antigo Egito, é um busto de Nefertiti (E a bela chegou -1380 a 1345 A.C.), encontrado na cidade de Amarna em 1912, com os lábios pintados de carmim.
Realçando os lábios femininos, seu brilho dá uma aparência de umidade, frescor e sensualidade. A conotação sexual é inegável, chegando às prostitutas egípcias, as escolhidas pelas colegas como hábeis na felação, a pintarem os lábios de vermelho, para que fossem identificadas facilmente pelos clientes.
Se o cliente estivesse a fim de sexo oral, não ia procurar uma novinha. Escolheria a “coroa” com os lábios tingidos, que lhe atestava a habilidade.
Por sua ligação com a prostituição, o batom sofreu perseguição ao longo do tempo. Na Grécia, no século II, só as mulheres casadas o podiam usar. Na Inglaterra, o Parlamento o proibiu em 1770. Principalmente no mundo ocidental o batom sofreu discriminação. 
Moças de família não usavam batom, chegando nos E.U.A. na década de 20 a uma moça chamada Pearl Pugsley de 17 anos, ser proibida de entrar na escola pois estava usando batom. 
Inicialmente aplicado com pincéis, teve sua forma sólida definida em 1921 e na década de 30 ganhou a forma de bastão. A revista Vogue (1892) foi à grande responsável pela sua divulgação na década de 30. 
As atrizes de Hollywood apareciam maquiadas e com lábios coloridos e aos poucos sua “ligação” com a prostituição, desapareceu.
Seu preço inicialmente proibitivo as mulheres pobres, servia para identificar as mulheres mais abastadas. O poder do batom é tão grande que durante a 2º Guerra (1939 – 1945), as mulheres foram incentivadas a usarem batom “vermelhão”, nas fábricas (com a diminuição da mão de obra masculina, mulheres ocuparam seus postos nas fábricas, para a confecção de armamentos), para elevar o moral das companheiras, namoradas, noivas e esposas dos soldados que foram para a batalha.
Cinquenta por cento da indústria da beleza tem no batom seu lucro. Os cosméticos em geral, principalmente produtos para os cabelos, fazem os outros 50%.
Os batons servem para desviar a atenção de dentes não muito brancos, e graças a ele, você “de longe” identifica um “sapatão”. Ele nunca usa batom!
 E ele é terrível. Por mais que o “pulador de cerca” tenha cuidado, ele aparece nos locais menos esperados. Colarinho então tem um verdadeiro “chamariz” de batom. Caso isso aconteça contigo, não tente lavar com água e sabão. No máximo você vai transformar uma pequena marca vermelha em enorme mancha rosa. Use gelo. Esfregue uma pedra de gelo em cima, e aos poucos o batom vai passando para o gelo, até sumir. Depois é só botar pra secar. Agora, se inexplicavelmente essa marca aparecer na sua cueca. Você... “tá  f*d*d*!” 
Atualmente acessível a todas, batons de várias cores foram lançados. Um negro lembra os integrantes do grupo de rock Kiss e outro “amarelão” faz parecer que a mulher está com Hepatite. São horríveis! Mas, se a mulher for feia mesmo, não tem batom que dê jeito. No máximo será uma “baranga” com lábios de carmim. 




Salvador, 23 de Setembro de 2011

Sávio Drummond 

quarta-feira, 11 de janeiro de 2012

VÁ TRABALHAR VAGABUNDO!

Há mais de trinta anos, passando pela Rua Chile, de carro, vi um “negão” usando uma britadeira
Debaixo de um sol nordestino de meio dia, fazia uma “malhação” que nenhuma academia de ginástica conseguiria, e suava “em bicas”.
O carro parou diante dele. Pensei comigo: “Quanto ganha um operário para fazer um trabalho destes”?
Sem protetor auricular aos 40 anos vai estar surdo. E apesar de musculoso, fruto do trabalho que realiza diariamente, estará cheio de Hérnias de Disco e Artroses diversas.
Provavelmente ganha um Salário Mínimo, enquanto um Senador  embolsa  27.700,00 Reais por mês,  somando salário e verba indenizatória e com acréscimos diversos, como verba para contratar assessores, verbas de gasolina e até material de escritório, pode passar de 100.000,00 Reais*,(fora o caixa 2 das empreiteiras), vindo dos impostos diversos que pagamos.  Se esses políticos ganham fortunas como essas é porque são legais, mas seguramente isso é IMORAL! Ao ver aquela cena não resisti, e quando o carro afastou-se (lógico), gritei:- Esse mole vai acabar! A.C.M. vem aí! Era o ano de 1978. Para meu espanto, ele ouviu e sorrindo me acenou.
O salário mínimo foi instituído por Getúlio Vargas em 1942 e teria hoje o poder aquisitivo de 1.750,00 Reais, enquanto o atual salário mínimo é de 545,00 Reais, devendo chegar a R$ 620,00  em Janeiro de 2012.Para que tenhamos uma idéia comparativa, um Dono de Engenho e escravos gastava “com seu negro” de 600 a 700,00 Reais por mês, a depender da região do país. A Lei Áurea “aconteceu” mais no papel.

As cidades, principalmente as metrópoles estão inchadas. Um centro de pessoas ricas, belas casas e apartamentos e uma periferia bem mais ampla, chamada de subúrbio (de Suburra, bairro periférico dos pobres na Roma dos Césares), geralmente cheia de barracos e favelas. Aqui em Salvador uma legião de miseráveis mora nas Palafitas: habitação frágil, de compensado e zinco, geralmente de um só cômodo, apoiada em estacas, sobre o mar, pois a “terra seca” já tem dono. Embaixo uma água imunda e fétida, pois seus habitantes não vão esperar a maré cheia para eliminar seus excrementos.
Quando estudante cuidei, no Hospital Universitário H.P.E.S. de uma Senhora residente em um desses barracos, que desabou devido à água salgada ter corroído os “pilares”, com um profundo ferimento na virilha e raiz da coxa, provocado por tocos podres de antigas estacas. Estava internada em um quarto isolado devido ao mau-cheiro que exalava.Os curativos, tínhamos de fazer de máscara, devido ao pus abundante e mal cheiroso que brotava e tirávamos da ferida. Até pedaços de casca de siri tirei do ferimento. Morreu de septicemia.
Enquanto isso um Deputado Federal ganha 12.800,00 Reais líquidos, mais 15.000,00 de verba indenizatória, mais 50.800,00 de verba de gabinete, mais 13.200,00 para despesas como Auxílio Moradia, gastos com telefone, postagem de cartas e passagens aéreas, fazendo um total de  91.800,00 Reais*, fora os dólares na cueca e Mensalões.
Os pobres e miseráveis também convivem com a fome. Um reflexo da desnutrição está no aproveitamento escolar e na criminalidade. Está provado que crianças que se desenvolvem em ventres de mães desnutridas apresentam um Q.I. menor do que crianças  que nascem de mães bem alimentadas. Aquelas são reprovadas com mais frequência, e cedo abandonam os estudos. Quando adultos, que condições de concorrer com pessoas mais inteligentes, que estudaram em melhores escolas, a empregos que remuneram melhor? Não é sem motivo que os piores trabalhos e os mais baixos salários, senão o desemprego, a eles estão reservados.
E em nossa cidade, que é a segunda cidade negra do mundo, aonde 78% da população é constituída de negros e mulatos, só perdendo para Laos, na África. Então, o quê faz o governo? Cria vagas para negros nas universidades. E quem é branco ou negro em Salvador? O governo vai fazer D.N.A. para todos os candidatos? Tirando o nêgo retinto e o galeguinho dos óio azul, todos são mestiços, nesta cidade da Bahia. Considero vagas para negros nas universidades uma excrescência por parte do governo. Em vez de oferecer ensino de boa qualidade nas escolas públicas, frequentadas pelos pobres, e em nosso meio pela maioria negra e mestiça, sai mais barato reservar vagas para negros. O aluno que foi medíocre (termo errôneo, pois medíocre quer dizer na média) na escola secundária, certamente o será na universidade e um profissional equivalente sairá com um “canudo” nas mãos. Em se tratando de um médico, a baixa formação profissional, vai se refletir no pobre que procura atendimento nos hospitais públicos. O rico, e com frequência esses maus políticos, não tem planos de saúde, nem “mofam” nas filas do SUS.  Procuram hospitais particulares, aonde são atendidos por Ph.Ds. , como se sua vida valesse mais que a do pobre.
Voltando ao baixo Q.I. do pobre cuja desnutrida mãe o gerou, que outra possibilidade de ganhar dinheiro lhe resta se não o crime? Ou cair nas drogas, ou no álcool, pois, ao drogar-se, a fome, a injustiça, o desemprego e a segregação são mais fáceis de serem tolerados.Você reparou como em Salvador, Recôncavo e adjacências, os empregos de baixa remuneração e as celas das cadeias são ocupadas por negros e mulatos?
Enquanto isso um Deputado Estadual ganha 12.500,00 Reais por mês, mais 29.259,38 de verba indenizatória, fazendo um total de 31.750,38 Reais*, fora o P.F. (Por Fora). Que fique bem claro: Existem políticos honestos, mais infelizmente são difíceis de serem identificados. Principalmente após serem eleitos.
Lembro-me de Rui Barbosa: “De tanto ver triunfar as nulidades, de tanto ver prosperar a desonra, de tanto ver crescer a injustiça, de tanto ver agigantarem-se os poderes nas mãos dos maus, o homem chega a desanimar da virtude, a rir-se da honra, a ter vergonha de ser honesto”. Não Mestre Rui, desanimar-se sim , a rir-se e ter vergonha nunca! E permanecer calado (quem cala consente), jamais!
O Homem aprende a ser livre quando aprende a dizer não!
Vá  trabalhar vagabundo!!!                                                                            
* Dados obtidos do Google 2011.                                                                                                                
                                                                                                                                                                                                   
Salvador, 21 de Agosto de 2011.
Sávio Drummond.                                                            

quinta-feira, 5 de janeiro de 2012

ALFA CENTAURO

Encontrava-me a bordo de uma nave interestelar, chamada Pégasus, que criava um campo gravitacional em torno de si e ao inverter a polaridade desse campo disparava rumo ao espaço, com aceleração semelhante à da gravidade, ou seja, 9,8 m/seg. a cada segundo. Ao utilizar o campo gravitacional dos planetas, no exato momento em que os tangenciávamos, éramos “catapultados”, ao invertermos a polarização, e deixamos o Sistema Solar a fantásticos 12.000 km/ seg.
Nosso destino era a estrela mais próxima da terra, Alfa Centauro. Alfa, 1º letra do alfabeto Grego, é como se designa a estrela mais brilhante de uma constelação ou o líder de uma manada, bando ou matilha. 
Duas estrelinhas alinham-se apontando para a constelação do Cruzeiro do Sul. A mais brilhante é ela, o sistema ternário chamado de Alpha Centauri.
Mesmo ao viajarmos a tão fantástica velocidade (máximo alcançado pelo homem é de 25.000 km/hora, velocidade das naves na reentrada da atmosfera), levaríamos 51,6 anos para atingirmos o sistema de Alfa Centauro, pois se encontra a 4,3 anos luz de distância. Para resolver esse problema foram acionados os motores de neutrinos, que lançam as partículas subatômicas, acima da velocidade da luz (299.793 km/seg.), em um luminoso rastro azulado, e em velocidade sempre crescente, em 5 meses e 18 dias começamos a desacelerar, para não passarmos, ou para que pudéssemos pousar suavemente em um planeta que orbita Alfa Centauro A. Sinais captados por radiotelescópios, oriundo do 5º planeta , pouco maior e tão massivo quanto a Terra, que gira em torno da mais brilhante das três estrelas, eram fortes indícios de vida inteligente.Naves não tripuladas para lá foram lançadas e fotos mostraram um mundo com nuvens, terra, água e abundante vegetação.Sua atmosfera foi analisada e 25% de O2 em vez dos 20,9%, do nosso ar, revelou-se em  uma atmosfera saudavelmente respirável. Só não foram registrados os prováveis seres inteligentes que há anos vinham mandando mensagem às estrelas.
Antes da aterrissagem, todos os 32 planetas que orbitam o sistema foram examinados. Não apresentavam condições de manter a vida, pelo menos, como a conhecemos.Alguns eram gasosos como os gigantescos Júpiter, Saturno, Urano e Netuno. Outros ou estavam muito perto das estrelas, com temperaturas de até 324°C ou longe demais, onde -250°C eram atingidos.  Em um chovia gasolina, e em outro H2SO4 (Ac. Sulfúrico). Em outro a quantidade de CO2 na atmosfera era asfixiante, em outro, furacões atingiam 420 km/hora e despedaçariam qualquer um, e em outro a pressão atmosférica era 100 vezes maior que a Terrestre.Serviriam como “trampolim” no retorno, permitindo um retorno mais rápido. 
A inospitabilidade não “dava guarida” ao frágil ser humano, apenas o das transmissões radioestelares estava na chamada zona habitável. Em todos, os pôr dos Sóis eram maravilhosos. Três alaranjados Sóis desapareciam atrás do horizonte, tingindo tudo de carmim. Pousamos em um descampado, perto de pequena e densa floresta, próximo ao que os indicadores de vida mostravam ser uma grande cidade. Analisadores da atmosfera mostravam o que já sabíamos. O ar era perfeitamente “limpo”, sem sequer traços de CO (Monóxido de Carbono), comum nas cidades, devido à queima de combustíveis fósseis. Certamente superaram este problema. 
Resolvemos deixar qualquer arma, na nave. De que adiantariam se os habitantes locais resolvessem ser hostis? Só passaríamos a imagem de sermos belicosos. Mantivemos dois astronautas na nave e levamos apenas os radiocomunicadores. 
A rampa da nave nos levou à grande área gramada, protegida por um pequeno bosque. Adiante deveriam começar as habitações suburbanas da metrópole de aproximadamente cinco milhões de pessoas, identificada quando do sobrevoo, e por isso escolhida para a aterrissagem. Ao sairmos da floresta “a vista” se perdia no horizonte. Nada a nossa frente como os aparelhos mostravam. - Foi para isso que viajamos mais de 41 trilhões de km? Exasperado, gritou um dos integrantes, enquanto arremessava uma pedra contra a fictícia cidade. Para espanto de todos a pedra ricocheteou no ar. Repetimos a experiência, e a mais primitiva das armas mostrou que um campo de força repelia-as.
Pedi a todos que diante do escudo invisível, levantassem as mãos, mostrando que não estávamos armados, e que nossas intenções eram pacíficas.Assim fizemos e uma grande cidade com edifícios, viadutos, veículos terrestres e voadores apareceu. Dois indivíduos desceram de uma espécie de carro voador que pousou próximo a nós. 
Poucos metros separavam o homem, da resposta de sua maior pergunta: Estamos sós no Universo? 
Dois seres hominídeos, pararam ante a barreira e levantaram as mãos direitas, em um gesto universal de paz. Repetimos o gesto e apertando um botão de um pequeno aparelho, como um controle remoto, vieram em nossa direção. A barreira, provavelmente o enorme campo de força, tinha sido desligada.alguém; Abaixei a cabeça (gesto submisso, de quem oferece o pescoço ao adversário). Entreolharam-se, (como se perguntassem o que significava isso?) e nos imitaram. O contato imediato do 2º grau tinha sido estabelecido.
Vestiam longas túnicas claras, e eram muito altos, de prováveis 2,10 a 2,15 m. A pele muito clara, olhos azuis e os cabelos brancos, mostravam que evoluíram sem a exposição “equatoriana” aos raios Solares.Subitamente em minha mente formou-se um pensamento:  Bem vindos ao nosso planeta, 5º a orbitar a estrela mais perto da sua. Há dezenas de anos mandamos mensagens através de radiotelescópios, na esperança de sermos ouvido. Finalmente conseguimos.
Olhando-os de perto e mais atentamente, percebi que um era pouco mais alto e tinha os ombros mais largos. O outro tinha os traços mais delicados e pequenas protrusões destacavam-se por baixo da túnica. Eram seios.  Ambos eram imberbes. Macho e Fêmea vieram nos receber.Entramos no carro voador e fomos à cidade. Em nosso voo percebi que havia “corredores” aéreos, e que os carros que andavam nas pistas, obedeciam a semáforos, assim como na terra. Só que tudo mais ordenado e limpo. Parecia que os sentimentos de cidadania e coletividade eram bem mais intensos. Sentamo-nos em confortáveis poltronas, enquanto nossos anfitriões perguntaram se não queríamos conhecer o planeta? Ante a resposta afirmativa, dois jovens fizeram sinal ao grupo que os acompanhassem, e quando me levantei para acompanhá-los, pediram para que ficasse. Entendi então por que desejavam que permanecesse. Os pensamentos que em minha cabeça se formavam, era telepatia e dos membros da equipe, eu era o de maior receptividade e poder de comunicação.
Desejavam através da telepatia fazer um dicionário falado, para que a comunicação verbal fosse possível em futuros encontros.Uma palavra era pensada por eles e eu a verbalizava. Uma máquina gravava minha resposta. Eles então a falavam em sua língua, como em um tradicional dicionário. Em futuros encontros a máquina, que gravava qualquer pensamento, mesmo dos não telepatas, abastecida com milhares de verbetes e frases inteiras, emitiria o som na língua de cada interlocutor, bastava formar a frase mentalmente. Enquanto os companheiros exploravam o mundo distante, por cinco dias, dia e noite procedi aos exercícios, inicialmente cativantes, depois entediantes, finalmente exaustivos.
Seu dia era de 26 hs.  Treze diurnas e 13 noturnas.Não tinham estações, pois o planeta não era inclinado em relação à estrela, e sua orbita era perfeitamente circular.
O pôr dos Sóis magníficos, sendo que nos pólos a menor das 3 estrelas, a anã vermelha, nunca se punha. Era o Sol da Meia Noite deles.
Disseram que quando chegamos, resolveram não se mostrar até terem certeza de nossas intenções, pois por diversas vezes estiveram aqui, e ao presenciarem as guerras, onde milhões se mataram, deixaram de vir.
Para conquistar territórios, fazer escravos, tomar riquezas como o ouro, petróleo e até por religião, guerrear sempre foi a maior habilidade do Ser Humano.Muitas pinturas, inclusive algumas Bíblicas registravam suas presenças entre nós, anteriormente.Alguns povos na antiguidade os tomaram por Deuses.
Não tinham dinheiro, e a vida entre eles era comunal. Tudo era de todos, conforme suas necessidades temporárias. A divisão de trabalho baseava-se nos dons ou inclinações e não nas necessidades materiais do grupo, pois o número de máquinas substituindo a mão de obra dos habitantes era enorme. Por fim, pude conhecer rapidamente o planeta. Viajara tanto para “bater papo”. A despedida foi triste, como a maioria das despedidas. Falaram-me que estariam sempre prontos a me ajudar, através do pensamento.Para o pensamento não há barreiras. Não há tempo ou espaço.
Acordei chorando.                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                  
 Salvador, 27 de Dezembro de 2011
                                                                                   Sávio Drummond

O NATAL

Comemora-se no Natal o nascimento de Jesus.A maior festa da cristandade, na verdade transformou-se na maior festa dos comerciantes. As lojas se enfeitam e Papai Noel tornou-se o símbolo maior do Natal.
O Bom-velhinho originou-se do costume que um homem chamado Nicolau, que nasceu na Turquia 280 DC, tinha de deixar saquinhos com moedas próximos às chaminés das casas dos pobres.
Esse homem foi canonizado e virou São Nicolau. Como São Nicolau presenteava os pobres com dinheiro, ficou o hábito de nesta data as pessoas trocarem presentes.
Em 1886 um cartunista alemão criou a roupa vermelha com barras brancas, e uma campanha publicitária da Coca-Cola em 1931, espalhou essa imagem para o mundo.
Em 25 de Dezembro comemora-se o nascimento de Jesus, e para deleite dos comerciantes é a época do ano em que as lojas esvaziam seus estoques.Depois dela só o Dia dos Pais e Dia dos Namorados.
Atribuem ao dia 25 de Dezembro o nascimento de Jesus. A estrela que os reis magos (Balthazar, Belchior e Ananias) seguiram e que lhes apontava o caminho para o local aonde teria nascido Jesus, conforme a profecia de videntes na época, era uma Super-Nova. 
Assim é chamada uma estrela que em sua agonia libera todo o seu material nuclear em segundos, em uma colossal explosão, tornando-se a estrela mais brilhante do universo.Em noite sem Lua você verá claramente no firmamento, a constelação de Órion, o grande caçador da mitologia grega. O cinturão de Órion é formado pelas populares 3 Marias. As estrelas Mintaka, Alnilam e Alnitaka. 

Do cinturão pende a faca do caçador. A estrelinha do meio não é uma estrela e sim gás e restos estelares, há 1.500 anos luz de distância, de uma estrela que explodiu. A nebulosa de Órion. Esse material reflete a luz das vizinhas. Teria sido a Estrela de Belém. Graças ao registro de astrônomos chineses, esta Super -Nova teria ocorrido em Março e não em Dezembro. E segundo esta data, Jesus morreu com 36 e não 33 anos. É verdade que o calendário sofreu muitas mudanças. Do calendário Juliano (do imperador romano Caio Júlio César), ao Gregoriano (do Papa Gregório XIII), porém os mesmos erros existentes em um calendário que atribui o nascimento do Messias para Dezembro, o arremete para Março.

Outro símbolo do natal é a Árvore de Natal. Martinho Lutero, criador da Reforma em 1530, encantou-se com um pinheiro, coberto de neve, no inverno alemão. Cortou-o e levou-o para casa. Enfeitou-o com algodão, imitando neve e velas acesas. Jesus nunca imaginou quantas pessoas morreriam para defender sua doutrina. Mais de 1.000.000 de mortos, para recuperar Jerusalém em poder dos Mouros nas Cruzadas, guerras que aconteceram de 1096 até o final da 9º e última cruzada em1303. Os soldados europeus usavam uma manta por cima da quota de malha, aonde havia uma grande cruz pintada. Daí o nome de Cruzados. 

O santo inquérito queimou aqueles que julgavam hereges, por mais de 300 anos. A Instituição Igreja Católica Apostólica Romana também dizia aos conquistadores espanhóis chefiados por Hernán Cortés em 1519, e Francisco Pizarro em 1532 na conquista do México e Peru, que os índios não tinham alma, para que não tivessem “crises” de consciência e matassem à vontade. Muitos até hoje morrem nas lutas religiosas, devido ao poder crescente dos fanáticos Islâmicos. Esta mesma Instituição criou a Tabela das Indulgências. Nela os pecados tinham preços. Era só pagar a igreja e seu pecado estava perdoado.
Lembro-me de José Saramago, escritor português, prêmio Nobel de literatura de 1998, em seu romance O Evangelho Segundo Jesus Cristo. Saramago, ateu convicto, através do Diabo, pedia a Jesus que não legasse ao Homem sua doutrina, pois milhões morreriam por ela. 
A Companhia das Índias Orientais e Ocidentais foram às empresas mais ricas do mundo à sua época. As grandes navegações foram por elas custeadas, sob o reinado de D. Manoel  I no descobrimento do Brasil e dos reis católicos Fernando e Isabel, em 1492, no descobrimento da América. 
A instituição Igreja Católica Apostólica Romana, saiu das catacumbas para fulgir ao Sol, seu Ouro e Prata. O Banco do Vaticano é um dos Bancos mais ricos do mundo. O celibatário dos padres é invenção da Instituição para que seus membros, os padres, não tenham herdeiros legais, e a ela sejam destinadas as riquezas em herança. Contra isso São Francisco de Assis (1182-1226) se rebelou e seguindo orientação de Jesus, que lhe pediu; “Francisco, reconstrua minha Igreja”, foi em 1210 juntamente com 11 “frades esfarrapados”, pedir ao Papa Inocêncio III autorização para fundar a Ordem dos Franciscanos, aonde a pobreza, humildade e amor ao próximo eram as máximas.
Jesus nunca defendeu ideais de riqueza e poder. Toda sua doutrina resume-se no que respondeu o filósofo judeu Liel; “Não desejes ao seu semelhante, aquilo que não queres pra si. Eis toda a lei e os profetas”.

Acredito ser esta a verdadeira mensagem para este e todos os Natais.
                                                                    

                                                                                                        Salvador, 24 de Dezembro de 2011
Sávio Drummond