quarta-feira, 17 de abril de 2013

SONETO PARA DORALICE




Doralice adora a vida,
 e a vida adora ela.
Eu adoraria a minha vida,
se Doralice estivesse nela.

Quando à noite penso nela,
de saudades meu peito estala.
O vento entra pela janela,
e “cantando” meu sono embala.

 Veio como o vento,
 e sem permissão se instalou.
 No meu coração e no meu pensamento,
E sussurrando falou;

A vida me deu tudo,
 menos de Doralice, a paixão.

Por isso sigo mudo,
Sufocando meu coração.

                                                                                          Salvador, 31 de Maio de 2012.
Sávio Drummond.

quarta-feira, 10 de abril de 2013

ENCANTADO


Na Cidade da Bahia, usa-se  esse termo para algumas pessoas quando morrem.
Aí  se costuma dizer “que não morreu, virou encantado”. Ao contrário dos Vampiros e Zumbis, que segundo a lenda ressuscitam, mas não têm alma, o Encantado é a própria alma, que ao aparecer assusta e passa a fazer “visagem”.
O encantado ajuda os que ficaram, mas a sua presença assombra, daí dizer-se que fazem visagem”.
Um que virou encantado foi um primo meu, que se
intitulava Irmão de Caridade Couto, vulgo Putanheiro Velho.
Qual Vadinho, no romance Dona Flôr e seus Dois Maridos, Irmão Couto, passou a ajudar os necessitados das noites baianas, ou seja,  as velhas putas e “Putanheiros “ necessitados. 
Certa feita, “Vivi, Língua de Veludo “ vinha andando rapidamente e com medo, doida para chegar no brega em que morava, pois já passava da meia noite, e nesse horário no Pelourinho, o assalto era certo. Nisso, dois marginais armados de navalhas, correram atrás dela para assaltá-la. Vivi corria e chamava por Santa Madalena, protetora das putas, mas o assalto era eminente. Quando estava para ser alcançada, Irmão Couto os derrubou com duas rápidas e certeiras  rasteira, agarrou-os pelos testículos e chamou Vivi para fazer o mesmo e levá-los para a Delegacia de Proteção ao Turista.
O Delegado e policiais plantonistas, até hoje lembram, entre risos da cena: Vivi segurando os dois homenzarrões pelos “bagos” (Irmão Couto, invisível, é que os estava triturando), e apresentando-os a autoridade policial.
Eram marginais que a polícia estava tentando prender “ de há muito”, pois tiravam a paz do Pelô à noite.
Irmão Couto virou Encantado. 
Outro parente meu, morto em um assalto, certa feita muito me ajudou.
O dia amanhecia e eu vinha do Largo da Palma, onde tinha estudado toda a noite com um colega.
Nisso um rapaz, sentado em uma cadeira de engraxate (antigamente elas ficavam acorrentadas a arvores, nas praças) pediu:
- Toque aqui, barão.
Sob o pretexto de acender um cigarro, queria que me aproximasse o suficiente, para com uma faca, certamente me roubar.
Nisso o primo morto, “do nada” apareceu ao meu lado, e com a mão no bolso do casaco, engatilhou uma arma.
O barulho de engrenagem ressoou na madrugada, e fez o provável ladrão dizer:
- Você é esperto, não tinha visto seu segurança.
O primo morto também virara Encantado...

                                                                                                              Salvador, 06 de Fevereiro de 2013.                                                      Sávio Drummond.

DÍZIMO NÃO É DINHEIRO


                                                            
A religião vivida de forma extremada pode causar sérios riscos. A história está cheia de exemplos. 
Dizem que o cearense Antonio Vicente Mendes Maciel, um professor primário e advogado prático (rábula), da cidade de Quixeramobim, nascido a 13 de Março de 1830, foi traído pela mulher, que fugiu com um sargento de polícia.O coitado não aguentou o peso da traição e enlouqueceu. Depois do ocorrido, Antonio Conselheiro, que queria ser padre, abandona tudo, e em 1874 o jornal sergipano O Rabudo, define uma estranha figura que andava pelos sertões do nordeste: " Há seis meses que por toda esta província e província da Bahia, chegado do Ceará , infesta um aventureiro santarrão, que se apelida de Antonio dos Mares.  O que, à vista dos aparentes milagres, que dizem ter ele feito, tem dado lugar a que o povo o trate por Santo Antonio dos Mares. Esse misterioso personagem, trajando uma enorme camisa azul que lhe serve de hábito, à forma de sacerdote, pessimamente suja, cabelos mui espessos e sebosos, entre os quais se vê claramente uma espantosa multidão de piolhos. Distingue-se pelo ar misterioso, olhar baço e tez desbotada e de pés nus, o que tudo concorre para tornar a figura mais degradante do mundo”.
Essa figura messiânica passou a vaguear pelos sertões, pelos seguintes 25 anos, fazendo um número enorme de seguidores. 
Em 1893 fixou-se no arraial de Canudos e começou a construção de uma cidade, onde morariam aqueles que iriam pro Céu, após a morte: a cidade de Belo Monte.
Por acharem que Antonio Conselheiro queria restaurar a monarquia ( e ele nunca quis isso), fazendeiros da região de Uauá, convenceram o governador Manoel Vitorino, a acabar com o povoado de Belo Monte.
Da guerra travada então, resultaram pelo menos 25.000 mortos do lado dos “Conselheiristas”, e 10.000 governistas, após duas incursões baianas e duas federais, encaminhadas pelo presidente Floriano Peixoto.
Por causa de religião vivida de forma fanática, o americano Charlie Manson, cometeu uma série de assassinatos, inclusive o da atriz Sharon Tate, que estava grávida.
Na Venezuela, o líder religioso Tim Jones, convenceu uma multidão de mais de 900 pessoas a cometerem suicídio, pois persuadiu-os que reencarnariam em uma nave que estava na cauda do cometa Halley, e que iriam para um mundo melhor.
O indiano Bhagwan Shree Rajenesh foi expulso dos EUA, pois estava criando uma comunidade de fanáticos, que contribuíam para que ele se tornasse um milionário.
A mesma coisa  faz a maioria desses pastores evangélicos.
Às custas de pseudos milagres, mantém uma legião de inocentes úteis, que em busca de curas milagrosas, ou um “lugarzinho” no paraíso, contribuem com 10 % do que ganham.

Dízimo, NUNCA FOI DINHEIRO
                                                                                                                          Um pastor sério, amigo meu, fez um levantamento Bíblico, onde em 35 lugares (da Bíblia), consta claramente que Dízimo é 10% da produção agrícola, das cabras, das hortaliças, do mosto, etc, com que as tribos de Israel sustentavam a Tribo de Leví, a que carregava a Arca da Aliança e armava o Tabernáculo.
Dízimo em forma de dinheiro é invenção desses falsos pastores, para que os fiéis os tornem grandes fortunas.
Recentemente uma revista americana, publicou o nome dos três mais ricos pastores do mundo. O 1º da lista era o brasileiro Edir Macêdo!
Outros dois brasileiros menos ranqueados apareciam nessa lista. Algumas Igrejas Evangélicas não passam de “fábricas de ganhar dinheiro”.
Tornou-se um dos negócios mais rentáveis do mundo, falar em nome de Jesus!
O próprio Mestre nos avisou:
- “ Muitos virão em meu nome e farão prodígios”.
Há uns 15 anos, fui a uma delas, para ver e formar um juízo crítico.
Era pior que pensava. “Boquiaberto” vi o Pastor pedir:
-“Quem tem 10.000,00 pra Jesus” ?
Depois de ver inúmeras seções onde o diabo era tirado do corpo das pessoas, onde 80% delas eram mulheres, mais impressionáveis conforme a psiquiatria. 
Ver As bruxas de Salem, Jeanne D`Arc, e os 300 anos de “caça as bruxas, pela Santa Inquisição), pareceu-me óbvio que o Diabo é o melhor amigo dos Pastores.
Pois se não fosse ele, como manter uma legião de inocentes úteis dizimando, ou seja, dando dinheiro para o pastor ter vida mansa, carro do ano, casa própria e o filho estudar em escola particular?
E haja criatividade para tirar um dinheirinho dos fiéis!
É o Martelinho Pra Quebrar As Pedras Do Caminho, Spray “Tira Capeta Do Couro”, Gota Do Milagre, Cornetas (pareceu-me vuvuzelas) Que Derrubaram Os Muros De Jericó, e por último o admirável e surpreendente lançamento de uma Bispa, o Perfume Com Cheiro de Jesus!
Ainda bem que nessas igrejas não existem imagens de santos, pois se houvessem, certamente seriam o de uma cédula de 100 Dólares, Euro, ou Libra Esterlina.
Tá amarrado em nome de Jesus!


                                                                                                                            Salvador, 22 de Março de 2013.                                                                                                                                                                                      Sávio Drummond.